Do I dare to disturb the universe?

September 12, 2008

Outro dia um camarada me disse que estava achando

muito chato esse lance de ter de estudar toda as correntes da economia. Afinal, se já havia sido devidamente provado que uma corrente não servia, por que as pessoas deveriam saber de uma velharia?

Normalmente eu ignoro esse tipo de questão. Minha baixa auto-estima fez com que eu desistisse há anos de conversar certos assuntos com os outros. Contudo, neste fatídico dia, bateu a louca.

Defendi que o conhecimento teórico de uma disciplina – a economia ou o que for – é decididamente importante por causa do caráter reflexivo de tal empreendimento.

Uma pessoa, afinal, só é capaz de algum dia conseguir fazer algo de realmente relevante se puder conceber seu objeto de estudo como algo que, por já ter sido diferente uma vez, também pode ser diferente no futuro. Enfim, a atividade filosófica ainda é maneira mais eficaz de manter as mentes sãs. E, por sãs, quero dizer: inquietas e produtivas.

( Eu achava que era senso comum. E, se fosse, eu não precisaria dizer nada. Se preciso, é porque ainda é algo que deve se infiltrar na cabeça das pessoas. Faço desta minha contribuição. E quem puder fazer a sua fará mais bem do que se estivesse propagando o desenvolvimento sustentável.)

Infelizmente, contra toda a razoabilidade, há quem ainda pense assim.   Esse é o sinal de que novamente se incrustou na sociedade uma espécie de determinismo. Em pleno século XXI, ele volta com toda a força. As pessoas simplesmente se sentem fadadas à insignificância. O único jeito é dizer a elas que

não querer sequer mudar o mundo é coisa de peão.

E peões, via de regra, são mal-remunerados. (Em mordenês elas entendem.)

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