Archive for August, 2008

O dia em que o Roger Waters se tornou nazifascista

August 24, 2008

O filme The Wall, famoso filme de ópera-rock com trilha de Pink Floyd, contém nítidas referências a toda espécie de autoritaritarismo presente na sociedade: desde professores em colégio a líderes de estados totalitários – incluem-se aí o nazismo e o fascismo.

 A lembrança mais comum dessa crítica empreendida pelo Pink Floyd está na letra de Another brick in the wall. O videoclipe dessa, aliás, ainda é figura relativamente fácil na MTV.

Sei lá bem quais as razões, mas alguém, em um grupo de estudos de Filosofia da Arte, cita o bendito filme – algo sobre como o Pink Floyd e o cinema podem dar péssimos exemplos, como incitar crianças, bem como no filme citado, a quebrar coisas e botar fogo na escola.

*pigarro* “Mas o Pink Floyd, er, estava fazendo uma crítica à história da pedagogia! E a sistemas de ensino que obrigam o aluno a reproduzir continuamente um mesmo pensamento.”

Mas aí alguém, talvez um desses fãzinhos da banda, resolve tirar onda:

Olha, eu acho difícil The Wall fazer crítica a alguma coisa. Quer dizer, é simplesmente a autobiografia do baixista do Pink Floyd!

Ah tá. O baixista do Pink Floyd era nazista?

óbvio para quem viu o filme que The Wall é uma adaptação extremamente livre da vida de Roger Waters para a tela. Tentando pensar o melhor da pessoa que proferiu a frase, vamos imaginar que só disse isso porque leu a respeito numa revista sobre a banda. Senão, sei lá, melhor esquecermos metade da humanidade…)

Filosofia faz iniciação científica?

August 20, 2008

Filosofia faz iniciação científica?

Gente maldosa, tosca e desinformada é capaz de fazer esse tipo de pergunta para você.

Não sem alguma dose de razão (a incopetência de alguns representantes da filosofia que oferecem motivos para tal), duvidam que seja legítima a iniciação científica na filosofia.

Entretanto, o critério utilizado por quem emite a pergunta, se realmente existe, é péssimo.

A maioria dos cursos de humanas têm constante crise existencial e hesitam  ao chamarem seus métodos de científicos. Esse é o caso da história, da psicologia, e, a despeito da ironia que isso possa trazer junto ao nome do curso, é igualmente o caso das ciências sociais. A razão é simples: nenhum desses ramos do conhecimento – passíveis de serem chamados de “ciências do espírito” – se pautam totalmente nos métodos das ciências duras. E graças a Deus, diga-se de passagem.

Em contrapartida, cursos como medicina, enfermagem e engenharia são principalmente ciências aplicadas. Seus esforços não estão voltados no sentido de estimular jovens cientistas, e sim no sentido de remeter ao mercado de trabalho mais técnicos-operários.

A infelicidade do nome escolhido e popularizado na universidade federal não deveria justificar o gracejo tolo (e evidentemente preconceituoso) que dá título à mensagem.

Afinal, se fôssemos absolutamente coerentes, deixávamos apenas química e física (com várias concessões, evidentemente) exibindo a alcunha “iniciação científica”. Porque em nenhuma outra parte vemos ciência mesmo.

Cuidado com o ENADE

August 20, 2008

Como pode uma bibliografia de uma disciplina de Lógica do ciclo básico ter mais referências aos pré-socráticos que a Aristóteles?

Currículos alternativos? A UFES faz isso por você.

(E pior que tem gente que ADORA!)

A idade ideal para começar a pensar

August 18, 2008

Semana passada uma professora do segundo período do curso de filosofia, cumprindo a rotina de um começo de disciplina de Psicologia, fez uma pergunta aparentemente normal e inofensiva, sobre as preferências, expectativas e sugestões dos alunos.

Realmente admirável a iniciativa da professora de abrir espaço para a participação ativa dos alunos. Alguns efetivamente fizeram algumas sugestões.

Eu, muito modestamente, sabendo-me curiosa de psicologia e acompanhando o que estudam colegas minhas desse curso, sugeri que ela mostrasse não só como a psicologia poderia alimentar a filosofia, mas também como a filosofia alimentou a psicologia (sabia, de antemão, que amigos meus, estudantes de psicologia, passavam por Foucault, Nietzsche, Deleuze, caras amplamente ignorados pelo departamento de filosofia da minha faculdade).

Não obstante, para a surpresa geral, tanto de muitos alunos como da professora, um dos presentes levantou a voz para objetar a respeito de todo o processo.

Disse, primeiro, que não deveria duvidar da capacidade da professora para elaborar uma ementa. Em seguida, alegou que um aluno de segundo período não estava apto para sugerir coisa alguma, e, além disso, a professora deveria escolher sozinha o que dar na disciplina, uma vez que um aluno de segundo período não teria condições de fazer paralelos entre psicologia e filosofia.

( É, com sorte, quem sabe no doutorado…)